Após perder a eleição presidencial de 1912, Theodore Roosevelt buscou refúgio na aventura.
O que hoje chamamos de Rio Roosevelt já foi um borrão nos mapas, conhecido apenas pelo nome enigmático de Rio da Dúvida. A imagem que ilustra este registro nos remete à Expedição Científica Roosevelt-Rondon (1913–1914), uma jornada que quase custou a vida de um ex-presidente dos Estados Unidos e consolidou a lenda do Marechal Cândido Rondon.
Após perder a eleição presidencial de 1912, Theodore Roosevelt buscou refúgio na aventura. O que deveria ser um cruzeiro turístico pela América do Sul transformou-se, por sugestão do governo brasileiro, em uma missão de exploração real. O objetivo: mapear um rio desconhecido de cerca de 1.000 km que corria rumo ao norte, na bacia amazônica. A foto em destaque registra um momento desta viagem de exploração.
A expedição foi um teste brutal de resistência. Dos 19 homens que iniciaram a descida do rio, três morreram. Roosevelt contraiu malária e uma grave infecção na perna, chegando a pedir que o abandonassem para não atrasar o grupo. Foi o rigor técnico e a ética humanista de Rondon — cujo lema era "Morrer se preciso for, matar nunca" — que garantiu que a expedição não terminasse em tragédia total.
A mudança do nome de Rio da Dúvida para Rio Roosevelt foi um gesto de gratidão de Rondon, oficializado pelo governo brasileiro. Curiosamente, Roosevelt, em sua humildade pós-trauma, insistia que o rio deveria se chamar Rio Rondon. Ele reconhecia que, sem o conhecimento geográfico e a liderança do brasileiro, a floresta teria sido o seu túmulo.
Hoje, o Rio Roosevelt serpenteia entre Rondônia e o Mato Grosso, desaguando no rio Aripuanã. Mais do que uma homenagem, o nome é um marco da diplomacia científica:
"O Rio da Dúvida é agora o Rio Roosevelt. É um tributo a um homem que enfrentou o desconhecido com a coragem de um pioneiro." — Trecho adaptado dos registros da época.