Morador desde a década dos pioneiros, Francisco Claudio Macedo, o Chico, deixa sua contribuição para a história de Castanheira
Nas próximas horas, Castanheira se despede de Francisco Claudio Macedo, 51 anos — o Chico. E quando uma cidade pequena se despede de alguém assim, não é apenas uma família que chora. É uma história que se fecha. É um capítulo da própria comunidade que silencia.
Sua trajetória começou longe dali, em Araripe, no coração do Ceará. De lá saiu com os irmãos — oito ao todo — movido pela esperança que sempre acompanha quem parte. Como escreveu Guimarães Rosa, “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. E Chico viveu intensamente essa travessia.
No final de 1987, pouco antes da emancipação do município que aprenderia a chamar de lar, fincou os pés em Castanheira ao lado dos pais, Nicolau e Lola. Vieram atraídos pelas boas novas trazidas por um tio, Vitor Claudio Macedo. Como tantos pioneiros, chegaram com coragem e fé — os dois combustíveis de quem constrói futuro em terra nova.
Aqui, Chico trabalhou na Rezzieri, na Prefeitura e como autônomo. Mas mais do que os cargos, ficou sua postura. Sempre disposto, tinha uma frase que virou marca registrada: “vou resolver”. Seu irmão, José Claudio Macedo, o Zezinho da Eletrônica, conta que essa era sua resposta quase automática diante de qualquer problema.
Talvez por isso o amigo e vizinho de quase duas décadas, Dener Basilio, recorra à expressão popular que o resume: “pau para toda obra”. Chico se fez no trabalho, na amizade, na disposição permanente de ajudar. Fez-se no cotidiano simples, que é onde mora a grandeza verdadeira.
Tinha suas paixões. Como sete dos oito irmãos, torcia pelo Clube de Regatas do Flamengo — “o outro era vascaíno”, brinca Zezinho, como se até na rivalidade houvesse laço. Gostava de pesca — as fotografias revisitadas por amigos e familiares revelam isso com nitidez — e não recusava um bom jogo de baralho. Pequenos prazeres que constroem memórias grandes.
Na Casa da Saudade, onde seu corpo é velado, a frase de Rogério Graeff ecoa como síntese: “era um bom parceiro, tinha amizade com todos”. E amizade universal não se improvisa; se constrói com caráter.
O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu que “a dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. A dor da partida é incontornável. Mas há consolo quando a memória é luminosa. Quando o que fica não é ausência apenas, mas exemplo.
Seu falecimento ocorreu por volta das 16 horas, no Hospital São Lucas, em Juína, onde havia ido para um exame. Nos últimos tempos enfrentava problemas de saúde. O sepultamento aguarda a chegada de familiares que vêm de Rondônia — porque despedidas também esperam aqueles que amam.
Castanheira perde um trabalhador. Os amigos perdem um parceiro. A família perde um irmão. Mas a cidade guarda algo que não se enterra: a marca de quem viveu dizendo “vou resolver” — e, de fato, resolvia.
Há vidas barulhentas. E há vidas necessárias.
Chico foi necessário. E por isso, certamente, fará falta.
Francisco Eldo Claudio Macedo
A saudade é grande, a dor é imensa. Mas a certeza de você cumpriu sua missão nessa sua passagem aqui na terra é certa. Você amou todos com amor a si mesmo. Exemplo de irmão, amigo, companheiro. Como você não é daqui, você voltou para o lugar de onde veio, o céu. Pois quem te colocou aqui, te chamou de volta pra Ele, DEUS. Que ele perdoa os seus erros, e o receba de braços abertos e confortantes, no reino dos céus. Ficará conosco a lembrança de um filho do céu que nós mostrou o dom da vida, amar sem medidas. Que o SENHOR conforte nossos corações e nós ajude a sermos melhores e amar como você amou. Como nos despedimos quando vamos viajar ou pra algum lugar distante um do outro, dizemos vá com DEUS, mas hoje pra você a frase é essa, vá pra DEUS meu irmão. Na certeza que um dia estaremos juntos na morada celestial. Que DEUS nos conforte, nós dê forças, nós ajude a vencer essa dor. Que o SENHOR nos console, nós abençoe.