Mais do que um crime, assassinato de avô pela neta representa uma ruptura ética e emocional profunda.
Um crime ocorrido na zona rural de Ariquemes, na última terça feira, 24, envolvendo a morte de José dos Santos e a tentativa de homicídio contra Maria Aparecida, transcende a página policial. Quando uma neta é apontada como a principal suspeita de atirar contra aqueles que, por natureza, deveriam ser seus pilares de proteção, somos forçados a encarar um abismo que vai muito além da criminalidade comum.
A quebra do sagrado familiar
Na estrutura familiar, os avós ocupam um lugar quase mítico. Eles são o elo com o passado, os detentores da memória e, frequentemente, o refúgio de amor incondicional onde a rigidez da criação dos pais se abranda. O ato de pedir que se sentem no sofá para uma "conversa" antes dos disparos revela uma frieza que estilhaça esse simbolismo.
Não se trata apenas de um crime de sangue, mas de uma ruptura ética e emocional profunda. O fato de a avó precisar simular a própria morte para sobreviver ao ataque da própria neta é uma imagem dolorosa do quão distantes estamos de uma harmonia geracional mínima.
O eco das Escrituras
Para muitos, o atual cenário de violência doméstica e intrafamiliar não é apenas um fenômeno sociológico, mas o reflexo de um desfecho anunciado há milênios. Se antes a insurgência de filhos contra pais já era vista como um sinal de tempos áridos, a violência direcionada aos avós parece levar essa profecia a um novo e impensável patamar de degradação dos afetos.
As Escrituras Sagradas, ao discorrerem sobre os "últimos dias", advertem que haveria um tempo em que o amor de muitos esfriaria. O texto bíblico é contundente ao prever que:
"Os filhos se levantarão contra os pais." (Mateus 10:21)
Se os pais, que são a autoridade imediata, tornam-se alvos, os avós — que representam a raiz e a sabedoria — parecem estar agora no centro de uma inversão de valores sem precedentes. O que assistimos em Ariquemes é, lamentavelmente, a materialização de um mundo onde o respeito à ancestralidade foi substituído por um vazio moral absoluto, confirmando a percepção de que vivemos dias onde os laços mais sagrados estão sendo rompidos.