Se a saúde de Luzia foi marcada por desafios, principalmente com seu coração, foi nele que ela guardou os maiores afetos.
Luzia Catarina de Oliveira é um nome que ecoa com profundidade no coração de muitos em Castanheira e além. Aos 86 anos, ela partiu deixando para trás uma herança rara: 15 filhos, 36 netos, 33 bisnetos e 10 tataranetos. Uma verdadeira linhagem que, como ela mesma, carregou os traços de uma vida dedicada ao amor, à bondade e à construção de uma família unida.
Foram 45 anos vividos na terra dos castanheiros, antes mesmo de Castanheira se tornar município, o que a torna uma das figuras mais antigas e queridas da região. Mas, mesmo com suas raízes profundas no chão de Minas Gerais, sua alma estava longe de ser finita. Ela se tornou uma matriarca que eternizou seu nome nos corações daqueles que cruzaram seu caminho.
Há oito dias, Luzia partiu deste mundo, deixando um vazio imenso em todos que a conheceram. Seu corpo foi velado na Casa da Saudade, onde suas memórias, de risos e brincadeiras, se entrelaçam com os ecos de sua vida em Tangará e Juína, onde viveu por um período enquanto recebia tratamento médico. Nesse tempo, sob os cuidados das filhas Creuza Laia e Zilma Laia, Luzia mantinha o sorriso no rosto e a alegria de viver, sempre cercada pelo carinho da família que a adorava.
Se a saúde de Luzia foi marcada por desafios, principalmente com seu coração, foi nele que ela guardou os maiores afetos. Seus filhos, noras, netos, e até amigos, lembram com carinho dos presentes que ela distribuía com generosidade, expressando seu amor incondicional. "Foi uma pessoa muito especial e sempre era lembrada por todos", diz uma de suas netas, com os olhos brilhando de saudade e gratidão.
Em meio a essa grande família, com tantas vidas entrelaçadas, a palavra que mais ressoa quando seu nome é mencionado é bondade. Uma qualidade que a manteve como um pilar de união, mesmo diante dos inevitáveis conflitos que surgem em famílias grandes. A bondade de Luzia era sua força, e ela soube construir pontes entre as gerações, sempre com o coração aberto para quem a procurava. E entre os lamentos de sua partida, o que mais dói é a ausência dela nos passeios familiares, uma de suas atividades prediletas, onde ela gostava de acompanhar, rir e desfrutar dos pequenos momentos.
E, como bem disse um dos netos ao recordar sua avó: “Ela nunca teve pressa de sair de perto da gente, sempre que podíamos, ela estava ali.” Esse amor incondicional e a presença constante de Luzia são o que a fazem eternamente viva nas lembranças de todos.
“A vida é breve, mas a bondade tem o poder de fazer com que ela dure para sempre.” Que essa frase se perpetue na memória de todos que a amaram, como um consolo para os corações apertados pela perda. Mesmo na saudade, Luzia viverá, na essência de cada gesto de carinho e bondade que ela deixou, como um farol a iluminar o caminho de sua extensa família, agora mais unida do que nunca.
E assim, na lembrança da sua bondade, seguimos todos, com a certeza de que, enquanto o amor for lembrado, a vida de Luzia Catarina de Oliveira nunca será esquecida.