Um pouco do entorno do meio de transporte que contribuiu decisivamente para o povoamento da região noroeste de MT.
Falar dos primórdios do Noroeste de Mato Grosso, incluindo Castanheira, é falar de um tempo em que os rios eram as únicas "avenidas" confiáveis e as balsas eram o cordão umbilical que ligava os colonos ao resto do mundo.
Naquela época (final dos anos 70 e início dos 80), a região era uma fronteira aberta. A balsa cumpriu um papel importante, neste contexto, sendo como uma porta de entrada.
Antes da consolidação da BR-174 e da pavimentação de rodovias estaduais, a balsa sobre o Rio Juruena era o ponto crítico de toda a logística regional. Para quem vinha do Sul do Brasil rumo a Castanheira e Juína, chegar à margem do rio e ver a balsa era o sinal de que o destino estava próximo, mas o desafio ainda era grande.
Um registro histórico importante da Revista Innovare News (já extinta) menciona a Balsa de Elizeu Rezzieri. Ele foi um dos pioneiros que estabeleceu esse serviço, facilitando o transporte de famílias e caminhões que vinham desbravar a região. Sem essa estrutura, o escoamento de madeira e a chegada de mantimentos seriam impossíveis.
O papel das madeireiras
Castanheira nasceu muito ligada à atividade extrativista. As balsas não serviam apenas para atravessar o rio; em muitos casos, eram usadas para o transporte de toras (conhecidas como "jangadas" ou "balsas de toras"). A madeira era amarrada e flutuava rio abaixo até pontos de serragem ou embarque.
Logística Reversa
Curiosamente, os caminhões que levavam madeira para o Sul aproveitavam a "viagem de volta" para trazer mantimentos para os primeiros supermercados da região (como o Casul Supermercado, um dos primeiros de Castanheira).
A Rodovia AR1 e a Codemat
A abertura da estrada que hoje conhecemos como BR-174 foi feita pela Codemat (Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso). No início, essa via era chamada de AR-1.
O nome "Castanheira" surgiu justamente durante a abertura dessa estrada. O operador de máquina Laerte R. Filho e o engenheiro Hilton Campos decidiram preservar uma castanheira gigante que estava bem no traçado da pista. A estrada "desviou" da árvore, que virou o símbolo da cidade.
Dificuldades e Isolamento
Nos primórdios, depender de balsas significava viver sob o ritmo da natureza:
A história de Castanheira é um exemplo clássico da "Marcha para o Oeste", onde o transporte fluvial e as balsas foram os verdadeiros heróis anônimos que permitiram o nascimento das cidades no meio da selva.