Dona Ana Maria partiu, mas sua história permanece.
Neste sábado, dia 03, completa-se um mês da partida de Dona Ana Maria de Oliveira Miranda, mulher cuja vida foi escrita com coragem, fé e amor sacrificial. Sua ausência ainda ecoa no silêncio da família, mas sua história continua falando — como um testemunho vivo de resistência, sabedoria simples e confiança em Deus.
Nascida em 12 de outubro de 1950, em São João do Paraíso, Minas Gerais, Dona Ana Maria partiu em 02 de dezembro de 2025. Nos últimos dias, foi cuidada com zelo e amor pela filha Maria de Oliveira Miranda, em Tangará da Serra, cidade onde passou a residir nos últimos anos em busca de melhores condições de saúde. Ainda assim, sua história se confunde profundamente com Castanheira (MT), onde viveu 38 anos, desde sua chegada em 1986, quando tudo ainda era mata, escassez e desafios diários.
Casada com Darci Ferreira Miranda, conhecido carinhosamente como Darci carroceiro, Dona Ana foi mãe de 11 filhos, sendo 8 vivos, além de 23 netos e 11 bisnetos — uma grande família edificada sobre valores sólidos. Mais do que gerar filhos, ela formou pessoas.
“Chegamos aqui e era mata, com grande escassez e dificuldades, até problemas de saúde, e mesmo assim ela nos ensinou a andar no caminho certo”, relembra o filho Mezaque. Suas palavras traduzem uma mulher que, mesmo sem recursos, nunca deixou faltar direção. Onde havia pouco pão, havia ensino; onde havia medo, havia fé.
A filha Iracema a define com três palavras que resumem uma vida inteira: “Minha mãe foi sábia, guerreira e sofredora.” Da sabedoria, guarda as lições que vinham sempre acompanhadas de fé: diante das situações ruins, Dona Ana ensinava a entregar tudo nas mãos de Deus, certa de que Ele proveria. Mesmo nos dias de fome, sua esperança não se abalava. Do sofrimento, fica o exemplo silencioso: ela enfrentava as dores da vida sem reclamar, sempre transformando dificuldades em ensinamentos.
Embora não tivesse estudo formal, sua família reconhece nisso não uma falta, mas uma dívida de gratidão a Deus, que lhe concedeu uma sabedoria que não se aprende nos livros. Como diz a Escritura: “A sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura” (Tiago 3.17).
Nos momentos finais, já na UTI, Iracema teve a oportunidade de dizer à mãe o quanto a amava e de agradecer pelo exemplo deixado em vida — um fechamento de ciclo marcado por amor, reconhecimento e paz. Porque há despedidas que doem, mas também consolam.
Um mês sem Dona Ana Maria não significa esquecimento. Significa saudade. Significa ausência física, mas presença eterna na memória, na fé e nos valores transmitidos. Como a mulher virtuosa de Provérbios, “abre a boca com sabedoria, e a lei da bondade está na sua língua” (Pv 31.26).
Dona Ana Maria partiu, mas sua história permanece. E permanece forte — como toda mulher guerreira que viveu não para si, mas para Deus e para sua família.