A música brasileira vive um momento histórico em 2025
Após quase uma década de domínio absoluto impulsionado pelo agronegócio, o gênero mais popular do país vê o Menos é Mais assumir o topo do streaming em 2025.
A música brasileira vive um momento histórico em 2025. Pela primeira vez desde 2018 — quando o britânico Ed Sheeran conseguiu uma rara brecha no topo das paradas nacionais — o sertanejo não ocupa a primeira posição entre as músicas mais ouvidas do ano. Segundo dados da Pro-Música, o novo rei das plataformas é o pagode, liderado pelo fenômeno Menos é Mais.
A Queda do "Reinado Agro"
Desde meados de 2010, o sertanejo se consolidou como uma potência econômica e cultural, financiado pela força do setor agropecuário. O jornalista André Piunti destaca que a simbiose entre o palco e o pasto foi o que deu escala ao gênero: "Sem os rodeios e as festas agropecuárias, o sertanejo não teria esse tamanho. É uma engrenagem onde cultura e agronegócio giram juntos", explica.
Apesar dessa estrutura sólida, o comportamento do usuário em plataformas como Spotify e Deezer sinalizou uma mudança de fôlego. O hit "P do Pecado" (Menos é Mais e Simone Mendes) não apenas liderou o ranking, como abriu caminho para uma diversificação maior no TOP 10, que agora respira novos ares com o trap, o funk e o forró.
O Ranking da Virada: Diversidade no Topo
Embora o sertanejo ainda ocupe quatro posições no TOP 10, a lista de 2025 mostra que o público está expandindo seus horizontes:
1º
P do Pecado
Menos é Mais & Simone Mendes
Pagode
2º
Tubarões
Diego & Victor Hugo
Sertanejo
3º
Coração Partido
Menos é Mais
Pagode
4º
Apaga Apaga Apaga
Danilo & Davi
Sertanejo
6º
Fui Mlk
Nilo, Dj Di Marques & Mc Paiva Zs
Trap/Funk
10º
Cópia Proibida
Léo Foguete
Forró
O Brasil Consome o Brasil
Um dado que salta aos olhos no levantamento da Pro-Música é a resistência cultural do mercado interno. Das 50 canções mais ouvidas, apenas três são estrangeiras. A influência internacional, que já dominou as rádios no passado, hoje não consegue competir com a força da produção nacional, seja ela o pagode ascendente ou o sertanejo resiliente.
O Sertanejo perdeu a coroa, mas não o prestígio. Nomes como Ana Castela e Henrique & Juliano continuam com números astronômicos, provando que o gênero ainda é um pilar da nossa indústria. Contudo, 2025 será lembrado como o ano em que o cavaco e o pandeiro falaram mais alto que a bota e o chapéu.